Há blogues que acompanho diariamente, religiosamente.
São opiniões que realmente importam: informam, fazem pensar, divertem, abrigam possibilidades de percepção da realidade, abrem novos caminhos.
O blogue de Ademir Assunção é um desses: http://zonabranca.blog.uol.com.br/
Ultimamente o blogue do Ademir tem sido de uma intimidade assustadora (e qual intimidade não o é?).
Acompanhando e supondo e interpretando fatos e sinais percebe-se que Ademir encontra-se numa fossa, em péssimo momento.
O interessante são os limites e a transgressão deles que o blogue permite.
Ademir Assunção: homem lúcido, inteligentíssimo, de sensibilidade aguçada. Conhecedor profundo de música e literatura e política (e pra que saber mais que isso?).
Ademir Assunção está frágil, está desinteressado de tudo isso. E o declara publicamente.
A princípio parecia ser uma artimanha, um chiste literário, um jogo.
Mas não. Ainda bem.
Um blogue deve ser seu conceito original, o seu contrário, e também todas as variáveis possíveis (diário, jornalismo, crítica cultural, ficção, impressões vagas, citações, dicas de outros blogs, etc, etc).
Só não permitamos que o blog seja uma mentira, digo uma mentira em essência, existir enquanto propaganda daquilo que não é, propaganda daquelas mentiras que tanto fez mal a nossa humanidade.
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Nem mesmo o Futebol temos que encará-lo como torcida de Futebol

Luiz Gonzaga Belluzo é o novo presidente do Palmeiras.
Sou são-paulino lúcido e apaixonado e comemoro.
Está na hora de moralizarmos um dos nossos maiores patrimônios.
Quando um Bebeto Freitas assume o Botafogo, temos que comemorar.
Quando um Juvenal Juvêncio assume o São Paulo, temos que comemorar.
Quando um Roberto Dinamite assume o Vasco, temos que comemorar.
Não mais Euricos Mirandas.
Não mais Mustafás Contursis.
Não mais Albertos Dualibs.
Não mais Klébers Leites.
O Futebol se profissionalizou e quem o ama de verdade tem que torcer pelo seu melhor, mesmo que isso implique:
Um Palmeiras mais organizado.
Um Corinthians mais competitivo.
Um Internacional bicho-papão.
domingo, 25 de janeiro de 2009
Comentário Sobre Comentário: a Luma
Um filme pode e deve se dar o direito ao não entendimento imediato do seu público, curto-circuitar idéias, desviar-se dos caminhos.
Certos filmes fazem de sua confusão fílmica sua própria razão de existir, pois exige do espectador uma participação: coloca-o pra pensar.
Agora em Batman - O Cavaleiro das Trevas percebemos que não há nada disso. Batman é confuso e cansativo exatamente pelo contrário: é explicativo e óbvio demais.
E sim Luma claro que tem conteúdo pra qualquer debate sobre filmes. Veja a discussão que já você já gerou...
Certos filmes fazem de sua confusão fílmica sua própria razão de existir, pois exige do espectador uma participação: coloca-o pra pensar.
Agora em Batman - O Cavaleiro das Trevas percebemos que não há nada disso. Batman é confuso e cansativo exatamente pelo contrário: é explicativo e óbvio demais.
E sim Luma claro que tem conteúdo pra qualquer debate sobre filmes. Veja a discussão que já você já gerou...
Breve comentário sobre a indústria cultural americana
OS EUA FAZEM OS PIORES FILMES DO MUNDO, MAS TAMBÉM FAZEM OS MELHORES.
Mobilização de Idéias
Recebi esta bela reflexão da amiga Ronice Kelmis.
Sempre que nos deparamos com uma obra literária a primeira questão é:
Qual a principal característica que a singulariza, garantindo-lhe o caráter artístico-literário?
Agora se transferirmos tal questão para outros setores, no caso política:
eis que algumas questões surgem a mente:
O que é o Reger?
Se pensarmos nos grandes líderes da humanidade (não só os líderes políticos) o que garantiu a eles tal características?
O que fizeram para que o simples Reger fosse transmutado em Arte do Reger?
Sempre que nos deparamos com uma obra literária a primeira questão é:
Qual a principal característica que a singulariza, garantindo-lhe o caráter artístico-literário?
Agora se transferirmos tal questão para outros setores, no caso política:
eis que algumas questões surgem a mente:
O que é o Reger?
Se pensarmos nos grandes líderes da humanidade (não só os líderes políticos) o que garantiu a eles tal características?
O que fizeram para que o simples Reger fosse transmutado em Arte do Reger?
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
OSCAR 2009 (ALGUMAS OBSERVAÇÕES)

Não assisti nenhum dos indicados a melhor filme para o OSCAR 2009.
Ainda assim me sinto compelido a opinar, e opinarei.
Algumas observações:
David Fincher puxando a lista de indicações com Benjamin Button é uma novidade a se saborear.
É interessante que Gus Van Sant seja sempre lembrado pela Academia de Artes quando faz um cinema mais convencional.
Ron Howard (Frost/Nixon) mais uma vez concorre ao Oscar. Realmente Roward é o maior lobbista de todos os tempos.
Danny Boyle (Slumdog Milionaire) morreu em 1996, ele não poderia estar aqui.
O Oscar adora uma farsa: Stephen Daldry (O Leitor) foi o selecionado pra 2009.
Torcerei para:
MELHOR FILME
Milk
Por causa de Gus Van Sant. Por causa de Sean Penn. Por causa de Harvey Milk.
MELHOR DIRETOR
Gus Van Sant Por que ele realizou dois dos mais importantes filmes da década (Elefante e Paranoid Park). Por reinaugurar novas dramaturgias dentro do cinema. Por tratar temas que ninguém quer falar.
MELHOR ATOR
Mickey RourkePor que ele é um grandíssimo ator, genial mesmo nos filmes mais terríveis: ver Domino, Sin City, Coração Satânico.
MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Entre os Muros da Escola de Laurent Cantet.Por quê os filmes franceses superaram os filmes americanos em números de ingresso. Viva a França.
MELHOR ATRIZ
Anne Hathaway por O Casamento de Rachel. Por quê ela é linda e extremamente talentosa e este é o primeiro bom filme que ela participa. Para que Hathaway diga não a O Diabo Veste Prada 2, O Diário da Princesa 3e similares...
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Marisa Tomei, por "O Lutador" Por que ela é linda e sempre faz bons filmes.
MELHOR ATOR COADJUVANTE
Heath Ledger, por "Batman - O Cavaleiro das Trevas
2008 será lembrado como o ano em que Heath Ledger morreu e que Joaquin Phoenix abandonou o cinema. Logo os dois maiores atores dessa geração...
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
GUAÍRA NÃO TEM O LÍDER QUE MERECE
Os EUA têm o líder que merecem.
O Brasil tem o líder que merece.
Já Guaíra...
Observemos a diferença de postura de um grande lider como Obama que fala em enfrentar os desafios com determinação e perseverança e nosso "liderzinho" que foge dos problemas, não toma medidas desenvolvimentistas e culpa o governo anterior por todos os problemas do mundo, sendo que todos percebem que nunca Guaíra esteve tão bem organizada como hoje (diferentemente de Obama que em minuto algum acusou Bush, e teria toda razão pra fazê-lo, pelo desastre que os EUA se encontram hoje).
O Brasil tem o líder que merece.
Já Guaíra...
Observemos a diferença de postura de um grande lider como Obama que fala em enfrentar os desafios com determinação e perseverança e nosso "liderzinho" que foge dos problemas, não toma medidas desenvolvimentistas e culpa o governo anterior por todos os problemas do mundo, sendo que todos percebem que nunca Guaíra esteve tão bem organizada como hoje (diferentemente de Obama que em minuto algum acusou Bush, e teria toda razão pra fazê-lo, pelo desastre que os EUA se encontram hoje).
BARACK HUSSEIN OBAMA: O LÍDER QUE O MUNDO PRECISA

"Meus companheiros cidadãos:
Estou aqui hoje sujeito à tarefa diante de nós, grato pela confiança que me foi concedida, consciente dos sacrifícios suportados por nossos ancestrais. Agradeço o presidente Bush por seu serviço à nação, bem como pela generosidade e cooperação que ele mostrou ao longo dessa transição.
Quarenta e quatro americanos agora já prestaram o juramento presidencial. Essas palavras foram ditas durante ondas crescentes de prosperidade e águas calmas de paz. E, de tempos em tempos, o juramento é feito em meio a nuvens carregadas e tormentas violentas. Nesses momentos, os Estados Unidos prosseguiram não apenas por causa de nossa habilidade ou pela visão daqueles no alto escalão, mas porque nós, o povo, permanecemos fiéis aos ideais de nossos ancestrais, e fiéis aos nossos documentos de fundação.
Tem sido assim. E precisa ser assim com esta geração de americanos.
Que estamos em meio a uma crise é bem conhecido agora. Nosso país está em guerra, contra uma ampla rede de violência e ódio. Nossa economia está gravemente enfraquecida, consequência da ganância e da irresponsabilidade da parte de alguns, mas também de um fracasso coletivo nosso em fazer escolhas difíceis e em preparar o país para uma nova era. Lares foram perdidos; empregos eliminados; empresas fechadas. Nosso sistema de saúde é muito caro; nossas escolas reprovam muitos; e cada dia traz novas provas de que as formas como usamos a energia reforçam nossos adversários e ameaçam nosso planeta.
Esses são os indicadores da crise, sujeitos a dados e estatísticas. Menos mensurável mas não menos profunda é a perda de vitalidade da confiança em nossa terra --um medo persistente de que o declínio dos Estados Unidos é inevitável, e de que a próxima geração precisa reduzir suas metas.
Hoje digo a vocês que os desafios que encaramos são reais. Eles são sérios e são muitos. Eles não serão enfrentados com facilidade ou em um período curto de tempo. Mas saibam disso, Estados Unidos: eles serão enfrentados.
Neste dia, nos reunimos porque escolhemos a esperança no lugar do medo, unidade de propósito sobre o conflito e a discórdia.
Neste dia, vimos proclamar o fim das discordâncias mesquinhas e das falsas promessas, das recriminações e dos dogmas gastos, que por muito tempo estrangularam nossa política.
Continuamos a ser uma nação jovem, mas nas palavras da Bíblia, é chegada a hora de deixar de lado as coisas infantis. É chegada a hora de reafirmar nosso espírito de persistência; de escolher a nossa melhor história; de levar adiante esse presente precioso, essa nobre ideia, passada de geração em geração: a promessa de Deus de que todos são iguais, todos são livres e todos merecem uma chance de buscar sua medida plena de felicidade.
Ao reafirmar a grandeza de nossa nação, entendemos que a grandeza nunca é dada. Ela precisa ser merecida. Nossa jornada nunca foi feita de atalhos ou de deixar por menos. Não foi uma trilha para os fracos de coração --para aqueles que preferem o lazer ao trabalho, ou apenas a busca de prazeres e riquezas e fama. Ao invés disso, tem sido uma jornada para os que assumem riscos, os realizadores, os que fazem as coisas --alguns celebrados, mas mais frequentemente homens e mulheres obscuros em suas obras--, que nos conduziram pelo longo e acidentado caminho em direção à prosperidade e liberdade.
Por nós, eles empacotaram suas poucas posses terrenas e viajaram pelos oceanos em busca de uma nova vida.
Por nós, eles deram duro em fábricas precárias e cruéis e colonizaram o oeste; suportaram o estalar do chicote e lavraram a terra dura.
Por nós, eles lutaram e morreram, em lugares como Concord e Gettysburg; Normandia e Khe Sahn.
Repetidas vezes esses homens e mulheres deram duro e se sacrificaram e trabalharam até suas mãos ficarem calejadas para que pudéssemos viver uma vida melhor. Eles viram os Estados Unidos como maiores que a soma de nossas ambições individuais; maiores que todas as diferenças de nascimento ou riqueza ou políticas.
Essa é a jornada que continuamos hoje. Continuamos a ser a nação mais próspera e poderosa da Terra. Nossos trabalhadores não são menos produtivos do que quando a crise começou. Nossas mentes não são menos inventivas, nossos bens e serviços não são menos necessários do que foram na semana passada ou no mês passado ou no ano passado. Nossa capacidade não diminuiu. Mas nossa hora de permanecermos imóveis, de proteger nossos estreitos interesses e adiar decisões desagradáveis --essa hora certamente passou. A partir de hoje temos de nos levantar, sacudir a poeira e começar de novo o trabalho de refazer os Estados Unidos.
Para todos os lados que olhamos, há trabalho a ser feito. A condição da economia pede ação, ousada e rápida, e vamos agir --não apenas criando novos empregos, mas um novo fundamento para o crescimento. Vamos construir estradas e pontes, redes elétricas e linhas digitais que alimentem nosso comércio e nos una. Vamos restaurar a ciência a seu lugar de direito, e utilizar as maravilhas da tecnologia para elevar a qualidade dos serviços de saúde e reduzir seu custo. Vamos manipular a energia solar e dos ventos e da terra para abastecer nossos carros e dirigirmos nossas fábricas. E vamos transformar nossas escolas e faculdades e universidades para atender as demandas de uma nova era. Tudo isso podemos fazer. E tudo isso vamos fazer.
Agora, há alguns que questionam a escala de nossas ambições --que sugerem que nosso sistema não pode tolerar tantos grandes planos. As memórias desses são curtas. Pois eles esqueceram o que este país já fez; o que homens e mulheres livres podem alcançar quando a imaginação se une ao propósito comum, e a necessidade à coragem.
O que os cínicos não conseguem entender é que o terrenos sob eles mudou --que os argumentos políticos envelhecidos que nos consumiram por tanto tempo não mais se aplicam. A pergunta que nos fazemos hoje não é se nosso governo é grande demais ou pequeno demais, mas se ele funciona --se ele ajuda famílias a encontrar empregos com um salário decente, uma previdência que eles consigam pagar, uma aposentadoria que seja digna. Onde a resposta for sim, pretendemos seguir adiante. Onde for não, os programas serão encerrados. E aqueles de nós que lidam com o dinheiro público serão responsabilizados --para gastar sabiamente, reformar maus hábitos e conduzir nossos negócios à luz do dia-- porque apenas então poderemos restaurar a confiança vital entre um povo e seu governo.
Nem é a pergunta diante de nós se o mercado é uma força para o bem ou para o mal. Seu poder de gerar riqueza e expandir a liberdade não tem iguais, mas a crise nos lembrou de que, sem um olhar vigilante, o mercado pode sair de controle --e que um país não pode prosperar quando favorece apenas os prósperos. O sucesso de nossa economia sempre dependeu não apenas do tamanho de nosso Produto Interno Bruto, mas do alcance de nossa prosperidade; de nossa habilidade de estender a oportunidade a todos aquele que a queira --não por caridade, mas porque essa é a rota mais certa para nosso bem comum.
Para nossa defesa comum, rejeitamos a falsa escolha entre nossa segurança ou nossos ideais. Nossos pais fundadores, diante de perigos que mal podemos imaginar, esboçaram um texto para garantir a regra da lei e os direitos do homem, um texto expandido com o sangue de gerações. Aqueles ideais ainda iluminam o mundo, e não vamos desistir deles em nome da conveniência. E para todos os povos e governos que nos assistem hoje, das grandiosas capitais à pequena vila onde meu pai nasceu: saibam que os Estados Unidos são amigos de todas as nações e de cada homem, mulher e criança que busque um futuro de paz e dignidade, e que estamos prontos para liderar mais uma vez.
Lembrem-se de que gerações anteriores derrotaram o fascismo e o comunismo não apenas com tanques e mísseis, mas com alianças vigorosas e convicções duradouras. Elas entenderam que nosso poder sozinho não pode nos proteger, nem nos dá direito a fazer o que quisermos. Ao contrário, elas sabiam que nosso poder cresce com seu uso prudente; nossa segurança emana da justeza de nossa causa, da força de nosso exemplo, das qualidades temperantes da humildade e da contenção.
Somos os guardiões desse legado. Guiados por esses princípios mais uma vez, podemos enfrentar essas novas ameaças que exigem esforços ainda maiores --uma cooperação e compreensão ainda maiores entre as nações. Vamos começar a entregar de forma responsável o Iraque ao seu povo, e forjar uma paz muito duramente conquistada no Afeganistão. Com velhos amigos e antigos inimigos, vamos trabalhar incansavelmente para reduzir a ameaça nuclear, fazer retroceder o espectro de um planeta em aquecimento. Não vamos nos desculpar por nosso modo de vida, nem vamos esmorecer em sua defesa, e para aqueles que buscam fazer avançar suas metas pela indução ao terror e massacrando inocentes, dizemos a vocês agora que nossa determinação é mais forte e não pode ser quebrada; vocês não podem nos esgotar e vamos derrotar vocês.
Pois sabemos que a colcha de retalhos de nossa herança é uma força, não uma fraqueza. Somos uma nação de cristão e muçulmanos, judeus e hindus --e não-religiosos. Somos moldados por cada idioma e cultura, vindo de cada canto desta Terra; e porque experimentamos o gosto amargo da guerra civil e da segregação, e emergimos daquele capítulo obscuro mais fortes e mais unidos, não podemos evitar de acreditar que os velhos ódios um dia vão passar; que as linhas tribais em breve se dissolverão; que enquanto o mundo se torna menor, nossa humanidade comum se revelará; e que os Estados Unidos têm de desempenhar seu papel em conduzir uma nova era de paz.
Para o mundo muçulmano, buscamos um novo caminho para seguir adiante, baseado no interesse mútuo e no respeito mútuo. Para aqueles líderes ao redor do mundo que buscam colher conflitos, ou culpar o Ocidente pelos males de sua sociedade: saibam que seus povos os julgarão pelo que podem construir, não pelo que destroem. Para aqueles que se agarram ao poder através da corrupção e da mentira e silenciando dissidentes, saibam que vocês estão do lado errado da história; mas que estenderemos a mão a vocês se estiverem dispostos a abrirem os punhos.
Para as pessoas das nações pobres, nos propomos a trabalhar com você para fazer suas fazendas florescerem e deixar águas limpas correrem; para nutrir corpos famintos e alimentar mentes famintas. E para aquelas nações como a nossa que usufruem de relativa fartura, dizemos que não podemos mais mantermos a indiferença ao sofrimento fora de nossas fronteiras; nem podemos consumir os recursos do mundo sem considerar os efeitos. pois o mundo mudou, e precisamos mudar com ele.
Ao considerarmos as estradas que se abrem diante de nós, lembramos com humildade aqueles bravos americanos que, nesta exata hora, patrulham desertos longínquos e montanhas distantes. Eles têm algo a nos dizer hoje, bem como aqueles heróis que jazem em Arlington sussurram através dos tempos. Nós os honramos não apenas porque eles são os guardiões de nossa liberdade, mas porque eles incorporam o espírito de servir; uma vontade de realizar algo maior que eles mesmos. E, neste momento --um momento que definirá uma geração--, esse é precisamente esse espírito que tem de habitar em todos nós.
Pois, por mais que o governo possa fazer e tenha de fazer, no fim é sobre a fé e a determinação do povo americano que esta nação se apoia. É a gentileza de abrigar um estranho quando as barragens se rompem, é o desprendimento dos trabalhadores que preferem um corte em suas horas trabalhadas a ver um amigo perder o emprego que nos observa em nossas horas mais difíceis. É a coragem do bombeiro de subir uma escadaria cheia de fumaça, mas também a disposição dos pais em nutrir um filho que no fim decide nosso destino.
Nossos desafios podem ser novos. Os instrumentos com que nos deparamos podem ser novos. Mas aqueles valores sobre os quais nosso sucesso depende --trabalho duro e honestidade, coragem e justiça, tolerância e curiosidade, lealdade e patriotismo--, essas coisas são antigas. essas coisas são verdadeiras. Elas têm sido a força silenciosa do progresso ao longo de nossa história. O que se exige, então, é um retorno a essas verdades. O que se pede a nós agora é uma nova era de responsabilidade --um reconhecimento, por parte de cada americano, de que temos deveres para conosco, nosso país e o mundo; deveres que não aceitamos com rancor, mas que recebemos com gratidão, firmes na certeza de que não há nada tão satisfatório para nosso espírito, nada tão definidor de nosso caráter que entregarmos tudo de nós mesmos a uma tarefa difícil.
Esse é o preço e a promessa da cidadania.
Essa é a fonte de nossa confiança --a certeza de que Deus nos chama para dar forma um destino incerto.
Esse é o sentido de nossa liberdade e de nossa crença --o por que cada homem e mulher e criança de cada raça e cada crença pode se juntar em celebração nesta magnífica avenida, e o por que um homem, cujo pai há menos de 60 anos podia não ser servido em um restaurante local, pode agora estar diante de vocês para fazer o juramento mais sagrado.
Vamos marcar esse dia com a lembrança de quem somos e quão longe chegamos. No ano do nascimento dos Estados Unidos, no mais frio dos meses, um pequeno bando de patriotas se junto ao redor de fracas fogueiras à beira de um rio gelado. A capital foi abandonada. O inimigo estava avançando. A neve estava manchada de sangue. Em um momento em que o resultado da revolução estava em dúvida, o pai de nossa nação ordenou que essas palavras fossem lidas ao povo:
"Que isso seja dito ao mundo futuro (...) que nas profundezas do inverno, quando nada além da esperança e da virtude poderiam sobreviver (...) que a cidade e o país, alarmados por um perigo comum, avancem para enfrentar."
Estados Unidos. Diante de nossos perigos em comum, neste inverno de dificuldades, vamos lembrar essas palavras imemoriais. Com esperança e virtude, vamos enfrentar mais uma vez as correntes geladas, e as tempestades que podem vir. Que os filhos de nossos filhos digam que quando fomos testados, nos recusamos a deixar essa jornada acabar, que não recuamos, nem que hesitamos; e com olhos fixos no horizonte e com a graça de Deus sobre nós, levamos adiante nossa liberdade e a entregamos em segurança para as gerações futuras."
Antes do Pôr-do-Sol e Batman - O Cavaleiro das Trevas: uma Reflexão.
Hoje assisti dois filmes diferentes em absoluto, mas que talvez por isso permitiram uma reflexão sobre a natureza do cinema.

Antes do Amanhecer é um filme de ideias. Os personagens a todo momento nos instigam a pensar e ressignificar o mundo. Não necessariamente ideias brilhantes, há observações simples, cotidianas mas que nos coloca sob nova perspectiva sobre a coisa observada. Os filmes de Richard Linkater seguem essa toada, não há uma temática geral, uma tese a ser defendida, cada plano vem carregado de significados e possibilidades imagéticas. Cabe a câmera adaptar-se à necessidade da ideia, recriar-se; imagem e discurso cinematográfico tem que estar na mesma sintonia.

Já em Batman - Cavaleiro das Trevas há uma nítida sobreposição das ideias sobre o Cinema. Sim o filme é carregado de ambivalências, ampara-se no trauma contemporâneo da dissolução bem versus mal. Sim há ideias das mais brilhantes, como a questão do caos enquanto urgencia artística (uma idéia cara a Adorno) na figura do Coringa (não mais regras, baby). Mas tudo é jogado à tela ao aleatório. Cristopher Nolan não tem um projeto cinematográfico, é evidente. Nos 150 minutos de Batman a sensação é que todos os planos são iguais, todos as imagens querem dizer a mesma coisa, mas ora o discurso da imagem está nos dizendo outra coisa, problematizando nosso olhar, embaralhando nossa vista quanto ao percebido na tela. Nolan vem fazendo o mesmo filme há anos, O Grande Truque, Batman Begins, e este Batman é uma vontade de dizer a mesmíssima coisa. Troque-se contextos e alguns personagens, os artifícios são os mesmos. Há em Nolan uma vontade de tratar dos grandes temas do mundo, mas seu cinema é pequeno pequeno.

Antes do Amanhecer é um filme de ideias. Os personagens a todo momento nos instigam a pensar e ressignificar o mundo. Não necessariamente ideias brilhantes, há observações simples, cotidianas mas que nos coloca sob nova perspectiva sobre a coisa observada. Os filmes de Richard Linkater seguem essa toada, não há uma temática geral, uma tese a ser defendida, cada plano vem carregado de significados e possibilidades imagéticas. Cabe a câmera adaptar-se à necessidade da ideia, recriar-se; imagem e discurso cinematográfico tem que estar na mesma sintonia.

Já em Batman - Cavaleiro das Trevas há uma nítida sobreposição das ideias sobre o Cinema. Sim o filme é carregado de ambivalências, ampara-se no trauma contemporâneo da dissolução bem versus mal. Sim há ideias das mais brilhantes, como a questão do caos enquanto urgencia artística (uma idéia cara a Adorno) na figura do Coringa (não mais regras, baby). Mas tudo é jogado à tela ao aleatório. Cristopher Nolan não tem um projeto cinematográfico, é evidente. Nos 150 minutos de Batman a sensação é que todos os planos são iguais, todos as imagens querem dizer a mesma coisa, mas ora o discurso da imagem está nos dizendo outra coisa, problematizando nosso olhar, embaralhando nossa vista quanto ao percebido na tela. Nolan vem fazendo o mesmo filme há anos, O Grande Truque, Batman Begins, e este Batman é uma vontade de dizer a mesmíssima coisa. Troque-se contextos e alguns personagens, os artifícios são os mesmos. Há em Nolan uma vontade de tratar dos grandes temas do mundo, mas seu cinema é pequeno pequeno.
domingo, 18 de janeiro de 2009
Se Eu Não Fosse Eu, Seria Chico Science
MONOPÓLIO AO PÉ DO OUVIDO
(Chico Science)
Modernizar o passado
É uma evolução musical
Cadê as notas que estavam aqui
Não preciso delas!
Basta deixar tudo soando bem aos ouvidos
O medo dá origem ao mal
O homem coletivo sente a necessidade de lutar
o orgulho, a arrogância, a glória
Enche a imaginação de domínio
São demônios, os que destroem o poder bravio da humanidade
Viva Zapata!
Viva Sandino!
Viva Zumbi!
Antônio Conselheiro!
Todos os panteras negras
Lampião, sua imagem e semelhança
Eu tenho certeza, eles também cantaram um dia.
(Chico Science)
Modernizar o passado
É uma evolução musical
Cadê as notas que estavam aqui
Não preciso delas!
Basta deixar tudo soando bem aos ouvidos
O medo dá origem ao mal
O homem coletivo sente a necessidade de lutar
o orgulho, a arrogância, a glória
Enche a imaginação de domínio
São demônios, os que destroem o poder bravio da humanidade
Viva Zapata!
Viva Sandino!
Viva Zumbi!
Antônio Conselheiro!
Todos os panteras negras
Lampião, sua imagem e semelhança
Eu tenho certeza, eles também cantaram um dia.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Os Melhores do Ano
2008 foi um ano ruim...pra mim. Assisti poucos filmes que entraram em circuito. Não vi quase nada de filmes brasileiros. Não fui a festivais. Assisti raríssimos europeus. Portanto divulgo aqui uma lista dos cinco melhores, apenas.
Também não consegui estabelecer uma ordem enumerando o primeiro, o segundo, etc. Divulgo então a sequência em ordem alfabética.
Diário dos Mortos, de George Romero
Fim dos Tempos, de M. Night Shyamalan
Paranoid Park, de Gus Van Sant
Serras da Desordem, de Andrea Tonacci
Sweeney Todd, de Tim Burton
Também não consegui estabelecer uma ordem enumerando o primeiro, o segundo, etc. Divulgo então a sequência em ordem alfabética.
Diário dos Mortos, de George Romero
Fim dos Tempos, de M. Night Shyamalan
Paranoid Park, de Gus Van Sant
Serras da Desordem, de Andrea Tonacci
Sweeney Todd, de Tim Burton
CONTRA A MÍDIA DE PENSAMENTO ÚNICO
Reproduzo aqui texto de MINO CARTA, publicado em seu blog. Mino analisa a tendência de PENSAMENTO ÚNICO da mída tupiniquim, em nível nacional ou municipal a história é quase sempre a mesma.
Respondo a vários navegantes dispostos a discutir o tema jornalismo. Em tese, ideal é ler diversas publicações para formar opinião própria. No Brasil, pura teoria. A mídia é a do pensamento único. O golpe de 1964 teve o incentivo, antes, o apoio depois, da mídia em peso. Collor foi eleito pela mídia, com destaque para Veja, que inventou o slogan: caçador de marajás. Fernando Henrique teve o suporte maciço da mídia na eleição e na reeleição porque o risco comum para os senhores midiáticos, rosto explícito do poder nativo, chamava-se Lula. A operação não funcionou em 2002, quando o apoio foi para Serra, e em 2006, quando foi para Alckmin. Sempre contra o metalúrgico, o grande espantalho. Claro que aqui e ali há articulistas e colunistas que às vezes discrepam da linha dos jornalões. São, porém, exceções. Claro, também, que na eleição e na reeleição de Lula surgiram todas as condições para verificar que a mídia não atinge o povão. Mas os barões das comunicações não se importam com isso. E em 2010? Aposto que se o ex-metalúrgico tiver candidato, ao que tudo indica terá, a mídia nativa atirará contra ele, a favor do tucano da vez. Ao pensamento único poucos escapam. Em outros países, e não somente europeus, as coisas não se dão da mesma maneira. Existem vozes contrastantes, publicações de todos os tipos e matizes que puxam brasa para as mais variadas sardinhas. Não acontece somente na Europa e, em parte, nos Estados Unidos, onde, aliás, a imprensa passa por uma grave crise. A mídia argentina é melhor que a nossa, ao menos porque ali não vigora o pensamento único.
MINO CARTA dirigiu as equipes criadoras do Jornal da Tarde e das revistas Quatro Rodas, Veja, IstoÉ e CartaCapital, da qual é diretor de redação.
Respondo a vários navegantes dispostos a discutir o tema jornalismo. Em tese, ideal é ler diversas publicações para formar opinião própria. No Brasil, pura teoria. A mídia é a do pensamento único. O golpe de 1964 teve o incentivo, antes, o apoio depois, da mídia em peso. Collor foi eleito pela mídia, com destaque para Veja, que inventou o slogan: caçador de marajás. Fernando Henrique teve o suporte maciço da mídia na eleição e na reeleição porque o risco comum para os senhores midiáticos, rosto explícito do poder nativo, chamava-se Lula. A operação não funcionou em 2002, quando o apoio foi para Serra, e em 2006, quando foi para Alckmin. Sempre contra o metalúrgico, o grande espantalho. Claro que aqui e ali há articulistas e colunistas que às vezes discrepam da linha dos jornalões. São, porém, exceções. Claro, também, que na eleição e na reeleição de Lula surgiram todas as condições para verificar que a mídia não atinge o povão. Mas os barões das comunicações não se importam com isso. E em 2010? Aposto que se o ex-metalúrgico tiver candidato, ao que tudo indica terá, a mídia nativa atirará contra ele, a favor do tucano da vez. Ao pensamento único poucos escapam. Em outros países, e não somente europeus, as coisas não se dão da mesma maneira. Existem vozes contrastantes, publicações de todos os tipos e matizes que puxam brasa para as mais variadas sardinhas. Não acontece somente na Europa e, em parte, nos Estados Unidos, onde, aliás, a imprensa passa por uma grave crise. A mídia argentina é melhor que a nossa, ao menos porque ali não vigora o pensamento único.
MINO CARTA dirigiu as equipes criadoras do Jornal da Tarde e das revistas Quatro Rodas, Veja, IstoÉ e CartaCapital, da qual é diretor de redação.
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
FÉ CEGA, FACA AMOLADA

Milton Nascimento no disco Minas nos saudou com essa elegia da sonoridade e da imaginação.
Também gravaram FÉ CEGA, FACA AMOLADA:
Os Doces Bárbaros (Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gal Costa)
http://www.youtube.com/watch?v=da18kGGkYjw
+
Elis Regina
+
Cordel do Fogo Encantado
http://www.youtube.com/watch?v=3Zuf43mwqT8
Poucas músicas tiveram tantos interprétes à sua altura
***
FÉ CEGA, FACA AMOLADA
(Milton Nascimento e Ronaldo Bastos)
Agora não pergunto mais pra onde vai a estrada
Agora não espero mais aquela madrugada
Vai ser, vai ser, vai ter de ser, vai ser faca amolada
O brilho cego de paixão e fé, faca amolada
Deixar a sua luz brilhar e ser muito tranquilo
Deixar o seu amor crescer e ser muito tranquilo
Brilhar, brilhar, acontecer, brilhar faca amolada
Irmão, irmã, irmã, irmão de fé faca amolada
Plantar o trigo e refazer o pão de cada dia
Beber o vinho e renascer na luz de todo dia
A fé, a fé, paixão e fé, a fé, faca amolada
O chão, o chão, o sal da terra, o chão, faca amolada
Deixar a sua luz brilhar no pão de todo dia
Deixar o seu amor crescer na luz de cada dia
Vai ser, vai ser, vai ter de ser, vai se muito tranquilo
GOVERNEM, POR FAVOR

Nunca tinha visto "governo" mais ressentido do que este. Qualquer ação é em nome de uma ação do outro, melhor, qualquer ação é uma maneira de descaracterizar o governo Sérgio Mello.
Acertei na mosca quando disse que esse "governo" lembra a Flora. Sabe aquela história da Flora querer tudo que a Donatela tem? Pois então assim que me parece este "governo".
Por quê eles não pegam aquele "plano de governo" da época das eleições e começam a colocá-lo em prática? Descruzem os braços e parem de charamingar tanto.
Um conselho pra este tal "governo": nem a Flora fica tanto tempo derramando lágrimas e ofendendo a Donatela, de vez em quando ela faz alguma coisa...
GOVERNEM, POR FAVOR.
sábado, 10 de janeiro de 2009
Diário dos Mortos: Um Filmaço

Três grandes filmes em 2008 anunciaram o fim do mundo.
O Nevoeiro de Frank Darabont, Fim dos Tempos de M. Night Shyamalan e Diários dos Mortos de George A. Romero.
Frank Darabont investiu menos nos “monstros” e mais na reação do homem frente ao desconhecido. Darabont deflagra, então, uma dialética discussão entre fé e razão e os fundamentalismos das duas partes.
O assustador em O Nevoeiro é aquilo que não vemos, aquilo que está em nossa imaginação, trata-se, pois do medo original pois a formação desses temores partem mais do anseio do público do que das imagens na tela. Para Darabont, o fim do mundo é a própria estupidez humana.
Já o filme Fim dos Tempos tivemos a oportunidade de debatermos a fundo em uma das sessões do Cineclube. O filme tem tantas questões, tantas variantes que merece um comentário por si só. Volto à ele outro dia. Mas cabe uma questão: duvido que o (improvável) fim do mundo real seja tão bem filmado.
Diário dos Mortos é o quinto filme de George A. Romero sobre os Mortos-Vivos que ele começou com A Noite dos Mortos Vivos.
E o que são os mortos-vivos nos filmes de Romero? Eu diria que são um subterfúgio, um miasma. São sobras que ali estão somente para nos distrair. O que Romero quer mesmo dizer são outras coisas:
Quer nos falar de racismo e de intolerância. Quer falar em como o ser humano age ao se deparar com os seus mais profundos e inenarráveis medos. Quer falar da precariedade de humanismo e de boas ações quando o homem tem que lutar pela sobrevivência. Quer falar de política e da falência das instituições. Quer falar de fé e ausência da fé. Quer falar de manipulação, e de mentiras.
Como disse em uma das suas entrevistas: “Se eu tivesse que sintetizar em uma só frase, seria "fiquem mais espertos". O maior problema, a meu ver, hoje é o público. As pessoas não se incomodam em fazer sua lição de casa. Elas simplesmente não sabem separar as coisas - acreditam em tudo o que ouvem nas suas "caixas", sejam elas quais forem. As pessoas têm que ficar mais espertas. Continuam mandando seu dinheiro a tele-evangelistas, continuam votando em idiotas”.
Há uma constante em Diário dos Mortos que nos diz muito de nossa contemporaneidade: a fixação pela imagem. E Diário dos mortos sublinha a cada segundo a crise da imagem que vivemos. E de imagem podemos entender verdade. E de verdade podemos entender a ética. Diário dos mortos problematiza tudo isso: a ética da verdade, a verdade da imagem, a ética da imagem. A dado momento o filme nos coloca “antes eram apenas três verdades as quais poderíamos confiar e agora que são 400 mil, em quem confiar?”, pois se décadas atrás éramos dominados por três ou quatro grandes canais de comunicação, o que fazer quando todo mundo com o seu celular, a sua câmera digital, seu laptop resolve também contar a sua verdade?
E escrever neste blog também não seria isso? poder também contar outras verdades.
Diário dos Mortos vê um mundo conectado em que quanto mais as pessoas participam, maior a possibilidade de vencermos os monstros que nos assombram: sejam eles zumbis, políticos ou bandidos.
George A. Romero é um gênio, um dos grandes diretores vivos. Talvez, mais do que gênio, George A. Romero é necessário.
Romero encerra o filme com uma grande questão, uma das maiores de nossa existência. Uma câmera, um livro, um quadro, uma máquina fotográfica tudo isso não seria senão um diário? Ou melhor, não seria um diário dos mortos, visto que seria a única forma de perenizarmos nossa permanência no mundo?
I'm the Palestina

Afirmava ainda ontem Futebol é Transgressão.
E hoje me deparo com a notícia de que Fredéric Kanouté após marcar um gol pelo Valencia em jogo pela Copa do Rei, retirou a camisa e na malha que usava por baixo estava escrito PALESTINA em vários idiomas.
Nem Obama, nem Sakorzy, Kanouté se coloca como a figura mais incisiva pelo cessar-fogo na Faixa de Gaza.
Kanouté é franco-malinês, nasceu em Mali e migrou pra França, sabe o que é ser subjugado e oprimido, exatamente o que tem acontecido com o povo Palestino há tempos.
E Kanouté abre um precedente dos mais interessantes: o Futebol enquanto ato Político.
A nota triste fica por conta da multa aplicada pela Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) à Kanouté, o valor deverá ser de 3 mil euros, uma irrelevância frente ao peso simbólico do ato do jogador.
Ainda segundo Kanouté "todo o mundo deve se sentir um pouco responsável quando há uma injustiça tão grande”.
Sim Kanouté eu também me sinto responsável.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Da série: frases geniais as quais não concordo
“Não vou torcer por 11 milionários correndo atrás de uma bola”
Chris Marker
Mas acaba sendo um excelente comentário sobre o que é o futebol hoje.
Eu me pergunto um jogador que ganha 100 mil reais por mês num grande clube diz que tem ir pra futebol europeu pra fazer seu pé-de-meia, esse jogador que em um ano ganha mais de 1 milhão de reais tem noção de quantos anos um trabalhador tem que labutar pra saber o que são 100 mil reais?
Nem juíz, nem promotor, nem médico, nem o presidente da república tem salário tão alto e vem um jogador me dizer que não dá pra viver com 100 mil reais?
Mas afora isso futebol é poesia, futebol é magia, futebol é transgressão.
Chris Marker
Mas acaba sendo um excelente comentário sobre o que é o futebol hoje.
Eu me pergunto um jogador que ganha 100 mil reais por mês num grande clube diz que tem ir pra futebol europeu pra fazer seu pé-de-meia, esse jogador que em um ano ganha mais de 1 milhão de reais tem noção de quantos anos um trabalhador tem que labutar pra saber o que são 100 mil reais?
Nem juíz, nem promotor, nem médico, nem o presidente da república tem salário tão alto e vem um jogador me dizer que não dá pra viver com 100 mil reais?
Mas afora isso futebol é poesia, futebol é magia, futebol é transgressão.
Três CD's que ouvirei durante minhas férias
BAJOFONDO - Mar Dulce.
Descoberta tardia minha. Bajofondo é uma pesquisa sensorial da América Latina: do que ela é e do que ela poderia ter sido.
TV ON THE RADIO - Dear Science.
Poderia dizer que é um dos melhores discos do ano, mas outros já disseram e de forma mais inteligente (Revista Rolling Stones, Thiago Ney, Kid Vinil).

MALLU MAGALHÃES - Mallu Magalhães.
Ela canta muito. E eu tenho uma amiga que se parece com ela.
Descoberta tardia minha. Bajofondo é uma pesquisa sensorial da América Latina: do que ela é e do que ela poderia ter sido.
TV ON THE RADIO - Dear Science.
Poderia dizer que é um dos melhores discos do ano, mas outros já disseram e de forma mais inteligente (Revista Rolling Stones, Thiago Ney, Kid Vinil).

MALLU MAGALHÃES - Mallu Magalhães.
Ela canta muito. E eu tenho uma amiga que se parece com ela.
+ Trovão Tropical
E duas frases antológicas/ontológicas deste grande filme.
"Não sou eu que leio os roteiros, são os roteiros que me lêem".
"Eu não sei o nome dessa arma, mas sei o som que ela faz quando mata um mentiroso".
"Não sou eu que leio os roteiros, são os roteiros que me lêem".
"Eu não sei o nome dessa arma, mas sei o som que ela faz quando mata um mentiroso".
Lula, o Grande Mediador da Crise
Lula libera R$ 3 bi para o social.
O governo Lula anunciou mais R$ 3 bilhões à Caixa Econômica Federal (CEF) para a construção de 70 mil casas populares, o que deve gerar 1,2 milhão de trabalhadores empregados com carteira assinada.
A lógica é simples: Lula acredita na questão social e no fim da desigualdade como solução dos problemas do país.
O governo Lula anunciou mais R$ 3 bilhões à Caixa Econômica Federal (CEF) para a construção de 70 mil casas populares, o que deve gerar 1,2 milhão de trabalhadores empregados com carteira assinada.
A lógica é simples: Lula acredita na questão social e no fim da desigualdade como solução dos problemas do país.
Trovão Tropical: Uma Comédia Épica

Trovão Tropical é uma comédia brechtiana: ao mesmo tempo que oferece o riso também expõe os seus mecanismos de funcionamento. Ou seja, faz rir e faz pensar.
Nada mais difícil.
Exemplo: Robert Downey Jr. faz o papel de um ator vencedor de cinco Oscars que pigmenta a pele para interpretar um personagem afro-americano, e para tornar o personagem ainda mais “real” ele usa gírias, fala acima do tom e se movimenta sem parar. Pronto, é essa a imagem que o cinema faz do negro: o personagem está completo. Trovão tropical em sua abordagem épica desfaz esses enganos: não é sendo um ator multipremiado que ele convencerá como negro. Aliás, ele nunca será negro. Não conhece o Brooklyn. Não conhece o preconceito. Não conhece a dor e a delícia de ser negro. Respeitar e tolerar a diferença é uma coisa, sê-lo é algo absolutamente diferente.
E é desse humor inteligente e reflexivo que o filme vai criando pontes com o espectador. Outro exemplo: as cenas de guerras são cruas e chocantes. E o filme carrega esta violência para o exagero. E o que fica é a idéia de que os “filmes de guerra” sérios não passam de caricaturas da verdadeira Guerra. Trovão Tropical satiriza os filmes de guerra, não a guerra. Sabe que a guerra é outro universo, o qual a representação cinematográfica não consegue dar conta.
O filme tem também o riso fácil: aquele humor físico e aqueles achados visuais as quais é impossível não gargalhar.
O elenco do filme não poderia ser melhor. Robert Downey Jr. se mostra um ator de primeira grandeza. Jack Black mostra por quê é o cara mais engraçado do mundo. Ben Stiller o diretor, roteirista, produtor e ator principal de Trovão Tropical se mostra à altura de um Dario Fo ou de um Jerry Lewis: através do riso, Stiller externa uma visão de mundo inquietante e questionadora. Há ainda Tom Cruise quase irreconhecível na pele de um magnata chauvinista e elitista, mas que no fundo no fundo gosta mesmo é de rap.
O filme também faz a alegria dos cinéfilos com citações a Apocalypse Now, Platoon, Rain Man, Nascido em 4 de Julho, Antes Só do que Mal Acompanhado, Uma Lição de Vida, Little Nick, O Poderoso Chefão, O Resgate do Soldado Ryan, Forrest Gump, Rambo, Duro de Matar, etc, etc.
Trovão Tropical é um dos grandes filmes do ano.
Comentário sobre o Comentário: a Donna
Algo que este grupo não percebeu: as coisas mudaram, a população está mais consciente.
Dois terços da população não corrobora com esse jeito “demo” de governar.
O que salta aos olhos e que você ressalta com precisão é a imprensa fazer este jogo politiqueiro de defender os interesses do “governo” e não o interesse da população.
Dois terços da população não corrobora com esse jeito “demo” de governar.
O que salta aos olhos e que você ressalta com precisão é a imprensa fazer este jogo politiqueiro de defender os interesses do “governo” e não o interesse da população.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Quando o Novo "governo" começará, de fato, a Governar?

Já estamos a seis dias de governo e acompanhando atentamente o novo “governo” da cidade, eu me pergunto: Quando é que esta nova “gestão” vai parar de falar em governar e vai realmente começar a Governar?
Ou melhor, quando é que este “governo” vai parar de inventar problemas e culpar a gestão anterior por todos os problemas do mundo?
Num dia vejo, um buraco de uma obra em execução considerado herança maldita. Hoje, em entrevista a Rádio Cultura, vejo o “Secretário de Saúde” falar sobre o controle de vetores do município. Havia ali poucas soluções e muito empurra-empurra. Tudo culpa do governo Sérgio Mello.
Qual será a culpa de amanhã?
Choveu? Culpa do Governo Sérgio Mello.
Folhas caíram das árvores e sujaram a cidade? Culpa do Governo Sérgio Mello.
Um ciclista desavisado andou na contramão? Culpa do Governo Sérgio Mello.
Seus filhos não passaram no vestibular? Culpa do governo Sérgio Mello.
Victor e Léo não vão se apresentar na Festa do Peão? Culpa do Governo Sérgio Mello.
Bem, falando sobre a Dengue em nosso município. Sabe-se que até o dia de ontem não houve reunião nenhuma com o setor de combate à dengue e que até então, a equipe ainda executava as diretrizes do governo anterior, seguindo mapa de atuação elaborado pelo Secretário de Saúde da gestão Sérgio Mello.
Talvez seja isso: Guaíra ainda não entrou de fato numa nova gestão.
Eis a estratégia do novo "governo". Somente alardearam o problema quando de fato ele se precipitou, e é assim que parece vai ser o ritmo desse "governo", não haverá prevenção dos problemas, não haverá planejamento das políticas públicas .
Os problemas surgirão e daí colocarão a culpa no governo Sérgio Mello (ao invés de buscarem as soluções dos problemas), passarão manhãs e tardes falando e falando nos rádios e jornais da cidade (ao invés de buscarem as soluções dos problemas) e aprontarão uma correria sem fim e sem SOLUÇÃO.
FLORA NA PREFEITURA
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
O Que Terá Acontecido a Mathieu Kassovitz?


1995. O cinema francês vive profunda crise de identidade: temas, linguagem, problematizações filosóficas: tudo parecia inadequado. Surge o fime O Ódio e expõe as vísceras da sociedade francesa. Explicita o lado B da França. Lado B que é sua essencialidade: as contradições culturais e sociais, os imigrantes, a urgência das ruas. Mathieu Kassovitz é o homem por trás desse desconcerto. Vence o prêmio de melhor direção do Festival de Cannes.
Mathieu Kassovitz até então é o cinema.
2008. Três filmes depois. Não há vestígio daquele primeiro Kassovitz. É lançado nos cinemas Missão Babilônia. A crueza das imagens, a sujeira das ruas, as contradições da globalização está tudo ali, mas não há cinema, não há idéias.
Missão Babilônia é certamente um dos filmes mais aborrecidos e tolos do cinema contemporâneo.
Tal questão no faz pensar que uma obra sempre deve estar à frente de seu autor. O Ódio deflagrou todo o impasse e inquietação de uma cinematografia que precisava trilhar novos caminhos: que tenha sido dirigido por Mathieu Kassovitz é uma mera casualidade.
A Kassovitz que tanto quis dialogar com o "grande público" e fez bobagens como Rios Vermelhos, Na Companhia do Medo e Missão Babilônia fica o conforto de ser lembrado como o namoradinho desajustado e chato de Amélie Poulan.
Comentário sobre Comentário: a Renato Racin
O olhar da direita sobre a Cultura é de fato preocupante. Querem colonizar ao invés de libertar. Querem impor o que o povo, o que os outros querem baseado estritamente em seu gosto pessoal. E bem sabemos que no campo da diversidade: toda expressão de arte é fundamental, sobretudo àqueles que jamais tiveram direito à voz, à sua individualidade, às suas próprias manifestações.
Então não adianta inundar a periferia de pianos, orquestras, quadros figurativos. Cabe sim, abrir espaço na Periferia para que a comunidade exponha sua própria linguagem, e também, evidentemente, apresentando outras possibilidades culturais a esta comunidade: levar a Música Popular Brasileira mas também o Hip Hop.
A famosa geléia geral que faz a Cultura Brasileira tão especial.
E é nessa batalha de conduzir a erudição do erudito à popularidade do popular que a Cultura faz sentido para todos.
Então não adianta inundar a periferia de pianos, orquestras, quadros figurativos. Cabe sim, abrir espaço na Periferia para que a comunidade exponha sua própria linguagem, e também, evidentemente, apresentando outras possibilidades culturais a esta comunidade: levar a Música Popular Brasileira mas também o Hip Hop.
A famosa geléia geral que faz a Cultura Brasileira tão especial.
E é nessa batalha de conduzir a erudição do erudito à popularidade do popular que a Cultura faz sentido para todos.
Comentário sobre o Comentário: para Asinim
A arte do debate são as idéias surgirem cada vez melhores e mais elaboradas. Suas idéias ali postas são deflagradoras de algo que há muito tentam ocultar: Guaíra está no Mundo e na História.
Tentam transformá-la (Guaíra) em reduto, em canto escondido, em nada.
Jamais conseguirão.
Guaíra é a Florença do Brasil, cidade especialíssima e com os rumos certos tem tudo pra ser uma grande referência do país.
Digo isso, por quê buscam contextos e idéias ultrapassadas e tentam deslocar Guaíra do resto do mundo.
Repito: jamais conseguirão.
Guaíra já não é mais a mesma, nem a sua população. Guaíra saiu direto do século 19 para o 21 e isto tem um peso. O peso da consciência política de seu povo.
Tentam transformá-la (Guaíra) em reduto, em canto escondido, em nada.
Jamais conseguirão.
Guaíra é a Florença do Brasil, cidade especialíssima e com os rumos certos tem tudo pra ser uma grande referência do país.
Digo isso, por quê buscam contextos e idéias ultrapassadas e tentam deslocar Guaíra do resto do mundo.
Repito: jamais conseguirão.
Guaíra já não é mais a mesma, nem a sua população. Guaíra saiu direto do século 19 para o 21 e isto tem um peso. O peso da consciência política de seu povo.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Maysa, Monjardim e a Paixão

Maysa - Quando Fala o Coração é mais cinematográfico que Olga. Maysa é um produto para a TV, Olga se diz cinema. Posto isso, nos cabe avaliar alguns porquês? Olga não interessava em nada ao seu diretor Jayme Monjardim. Nem tema, nem época, nem linguagem. Filmou-a para os outros, os outros comuns. Olga é uma vontade de público, não uma necessidade de artista. Pode-se discutir e muito se Monjardim é ou não um artista, mas o fato é que Olga sofria da maior temeridade de um filme: a falta de paixão.
Maysa ao contrário é pulsante, dilacerante. Quer dizer alguma coisa, e diz. Todo artista somente deveria dar conta das sua maiores paixões (frustradas ou não). Pela primeira vez Monjardim nos dá a impressão de ter prazer no material que filma. Seria impossível a ele escapar de qualquer envolvimento emocional com o tema, afinal trata-se da biografia de sua mãe, mas não é isso que move a graça da obra. Ao querer contar esta história (a qual foi testemunha ocular) Monjardim fugiu da narrativa óbvia, dos enquadramentos fáceis, da dramaturgia solene. Contar uma história é torná-la jamais sonhada (em cores, em movimentos, em ritmo, em imagens). Maysa é despudorada, excessiva, intensa, em suma tem todos os ingredientes que a afastam de um melodrama, daí a necessidade de levar o filme em outra chave, outro ritmo. Godard e Coppola são exemplos de cineastas que perpassaram pelos mais diferentes temas/histórias/contextos e ainda assim sempre produziram grandes filmes, pois tudo os interessava, tudo pra eles era paixão. E dessa(s) paixão(ões) revolucionaram o cinema.
O primeiro capítulo de Maysa foi dos mais interessantes. Monjardim foi muito feliz em algumas escolhas: Larissa Maciel tem a irreverência que Maysa precisa. O elenco formado por atores desconhecidos e muito talentosos. Affonso Beato na fotografia, que faz da maioria dos planos, uma urgência visual.
Em Maysa o texto de Manoel Carlos não parece um texto de Manoel Carlos, o que é um grande avanço. De História de Amor à Páginas da vida não havia diferença substancial entre as tramas, afinal Maneco não podia mudar o gosto do(a) espectador(a). Dava ao público o que ele queria. (Eis a morte da Arte: dar ao público o que ele quer).
E que Maysa seja uma mudança de rota na obra de Monjardim, Manoel Carlos e (não custa sonhar) da própria Rede Globo.
Futebol: Quem Melhor Contratou para a Temporada 2009

O São Paulo.
E isto não tem nada a ver com o fato de ser são-paulino.
Na temporada de 2008 o São Paulo foi o time que pior contratou, agora felizmente se redime.
Vejamos: o São Paulo investiu, sobretudo, em jovens e consistentes talentos e quando apostou na experiência contratou jogadores de currículo irrepreensível.
Júnior César: na minha opinião a melhor contratação do clube. Há tempos que o São Paulo vem de uma carência na lateral-esquerda. Júnior estava com o futebol cansado. Jadílson não teve chance de mostrar seu melhor futebol. Jorge Wagner era uma saída, uma alternativa, Jorge Wagner é jogador importantíssimo, mas no meio de campo. Este jovem Júnior César tem tudo pra ser o melhor lateral-esquerdo do Brasil, habilidoso e ousado, quando espreita para a linha de fundo é inalcançável, seus cruzamentos são sempre precisos. Foi um dos grandes carrascos do São Paulo na Libertadores 2008.
Arouca: meio-campista moderno, sempre sabe o que fazer com a bola. Marca muito bem grande roubador de bolas), e quando avança, deslinda incisivo a caminho do gol quase sempre com perigo.
Washington: homem-raça, homem-gol. Erra muitos gols, faz muitos gols. Sempre vibrante. Sabe jogar dentro e fora da área, com os pés e com a cabeça. Gosta do gol.
Renato Silva: o São Paulo tem a melhor zaga do mundo (não tem pra Manchester, não tem pra Chelsea, não tem pra Inter de Milão), talvez nem precisasse, mas Rodrigo periga sair, o que é fato preocupante. Renato Silva é zagueiro clássico. Prefere tomar a bola a fazer a falta.
E se confirma de vez: o Corinthians é time mais populista do Brasil. Trouxe Ronaldo com muita pompa e alegria. Trouxe Ronaldo pra alegria da mídia e do marketing. Ronaldo é gênio, mas é também uma incógnita. Pode desequilibrar como também passar despercebido. Ronaldo não tem o perfil corinthiano: não corre, não marca, não se preocupa com o coletivo. Talvez faça muitos gols: belos gols. Na sua última temporada no Milan jogou um terço dos jogos, com uma média de quase um gol por partida. E talvez seja isso que devamos esperar dele Ronaldo, o gênio. Participará pouco, mas sempre será decisivo.
No mais o Corinthians contratou Jean: um embuste, uma farsa. Souza: bom jogador. Escudero: deve imprimir a garra argentina no time.
O Palmeiras é só aposta: os zagueiros Danilo e Maurício, o lateral-esquerdo Pablo Armero e os meio-campistas Willians, Cleiton Xavier e Marquinhos estão contratados. Keirrison só chega em abril e Kleber ainda é uma indefinição.
No Rio houve mais desmanche do que contratações: Botafogo, Fluminense e Vasco devem iniciar o ano radicalmente reformulados. O Flamengo praticamente aposta no mesmo time (ou seja: um risco tremendo).
No Rio Grande do Sul o Internacional (um dos grandes elencos do país) pode perder alguns dos seus jogadores mais importantes como Alex, Edinho e Nilmar. O Grêmio mantém a base.
Mais uma vez o São Paulo é o clube que mais planeja o time, pensando seja em campeonatos mais complexos como a Libertadores, seja em campeonatos regionais como o Paulistão. Reforça o elenco com reservas à altura do time titular. Contrata bem, sem arroubos milionários. O São Paulo assim como o Inter, o Cruzeiro e alguns poucos clubes se deu conta que o futebol já não é mais a arte do Improviso, mas do Planejamento.
domingo, 4 de janeiro de 2009
Mais uma Guerra e Como Sempre a População no Meio

Então fica assim: o exército israelense em ofensiva militar de um lado, o movimento islâmico Hamas atacando de outro, e a população da Faixa de Gaza no meio.
Resultado: 500 pessoas mortas, incluindo 87 crianças e mais de 2.450 estão feridos. Por enquanto apenas três integrantes do Hamas foram mortos.
Pior, segundo o chefe do serviço de emergências médicas em Gaza, Moawiya Hassanein "O número de mortos pode ser bem maior, já que há muitos mártires e feridos nas ruas que não conseguimos resgatar".
A ofensiva ou afronta entrou no seu oitavo dia consecutivo e “destruiu a região deixando 80% da população completamente dependente de ajuda humanitária”, informa a ONU (Organização das Nações Unidas).
E ainda segundo a ONU “mais de 600 alvos foram destruídos, incluindo estradas, edifícios públicos, delegacias de polícia e parte da infraestrutura da faixa de Gaza, que abriga cerca de 1,5 milhão de palestinos. Cerca de 250 mil pessoas estão sem eletricidade e a única central elétrica da faixa de Gaza foi fechada no último dia 30 pela sexta vez, desde o início de novembro, por falta de abastecimento. A água corrente é disponibilizada uma vez a cada cinco ou sete dias e apenas durante algumas horas e, em alguns locais, o esgoto se acumula nas ruas depois que o sistema de saneamento foi danificado pelos bombardeios”.
Ou seja, a ONU mais uma vez se omite do seu papel fundamental que é assumir seu papel humanitário e exigir o cessar-fogo do exército israelense. Ao invés disso prefere acompanhar de perto o infortúnio da população da Faixa de Gaza, assinando boletins de quantos morreram ou quantos prédios públicos foram atingidos.
Infelizmente, os EUA mais uma passam a mão na cabeça de Israel, afinal trata-se de seu braço bélico no Oriente Médio. Barack Obama nada pode fazer até sua posse no dia 20 de janeiro e enquanto isso dezenas morrem por dia.
Os Primeiros Passos

De imediato já deu pra perceber o espírito deste "governo" que entra: uma série de ações bastante discutíveis.
Primeira ação: o próprio cerimonial de posse foi extremamente deselegante ao tocar insistemente a música de campanha "vai dar tudo certo". Entende-se que se identifiquem com a música e que ela tenha um certo valor sentimental. Agora insistir para que a Banda da cidade a tocasse ininterruptamente, e ainda desprezar o hino nacional e o hino municipal, deixa explícito o descaso deste grupo com a Prefeitura. Fica nítida aí as diretrizes deste governo: o desprezo por aquilo que é interesse da maioria, tocaram música somente pra eles ouvirem, ato talvez pra tripudiar de todos aqueles que não votaram neles. A elegância, a educação não está nos ternos caríssimos que vestimos, mas em atitudes de respeito ao próximo.
Segunda ação: A Prefeitura é órgão getor das políticas públicas do município. Quem assume a direção deste órgão cabe zelar pela aplicação do bem-estar à toda a população. Por isso fica aqui o desagravo quando o mestre de cerimônias do evento a todo momento referia-se à Prefeitura enquanto Poder. "Agora vocês saem do Poder". "Agora nós assumimos o Poder". Nota-se de imediato que não é uma questão de trabalho, de beneficiar o cidadão, mas de estar no Poder. Na lógica deles, estar no Poder é mais importante que tudo. Na lógica deles não se ganha uma eleição, se ganha o PODER.
Terceira ação: Esta fato merece uma análise mais profunda, mas cito aqui pra registrar a arrogância do lema escolhido por este novo "governo": "É tempo do bem".
Pois bem percebe-se que eles se colocam como juízes do tempo e da vida. São eles quem definem quem é do bem, e quem é do mal. Eu pessoalmente acredito na Justiça divina. Mas dá um friozinho na barriga pensar que eles podem não ir com minha cara e acharem que eu sou da turma do mal...
Quarta ação: "Estamos diante de uma crise mundial sem precedentes" e blablablá, blablablá, ou seja, foi dada a primeira das centenas de desculpas para a inoperância ,a incompetência, o despreparo...
Aguardemos os próximos passos então.
sábado, 3 de janeiro de 2009
Minhas Boas Vindas à Cida André
Cida André, talvez, tenha sido um dos poucos acertos do secretariado recém nomeado pelo atual prefeito José Carlos Augusto. Inteligente, flexível, habilidosa. Cida André tem algumas das principais qualidades para a gestão cultural. Gestão que é diferente de todas as outras, pois está no nível da sensibilidade, da diversidade, do olhar crítico e generoso para todas as questões.
Já de início, confesso que fiquei admirado com sua postura. Ainda na minha gestão ela esteve presente em dois dos nossos eventos: o Festival de Dança e o Natal na Praça.
No ato da posse trocamos rápidas palavras, mas suficientes pra perceber que Cida é pessoa disposta a dialogar, a ouvir - a mais fundamental de todas as qualidades para um bom administrador.
Na rápido conversa que tivemos, me coloquei a disposição a colaborar no que for possível na continuidade dos projetos culturais. Pois bem, no ano de 2008 mesmo com crise econômica mundial investimos mais de 3% em Cultura, trouxemos grandes nomes para a cidade e abrimos muitas portas para os talentos locais. Tenho certeza de que Cida André está atenta a isso e não vai deixar que percamos todos os avanços feitos até aqui.
Acredito que se Cida André não sucumbir às más influências (e elas são muitas) e se der espaço e diálogo para os artistas da cidade ela deve fazer um bom trabalho pela Cultura de nossa cidade.
Seja Razoável, Faça o Impossível

Hoje, dois anos depois, consigo descansar. O descanso não é apenas questão física, psicológica. O descanso é uma questão ética.
Descansar é, pois, estar em paz consigo mesmo e com aquilo que lhe é importante. Hoje, descanso por perceber que fiz tudo o que estava ao meu alcance. Como naquele lema dos anos 60: “Seja razoável, faça o impossível”. Acho que fiz muitos impossíveis neste tempo.
Desde 2007 estive à frente da Coordenadoria de Cultura.
Desde então minha vida não foi a mesma.
Foram, talvez, os anos mais difíceis da minha vida.
Foram, talvez, os melhores anos da minha vida.
Quanto ao meu trabalho não quero ficar aqui detalhando, ele está aí presente na Cidade, na memória das pessoas, na referência consolidada em Guaíra como um pólo regional de Cultura. Também se faz presente na revista Culturando lançada no final de 2008 e também na revista de prestação de contas da cidade de Guaíra.
Mais importante que projetos, eventos, oficinas, construções de tijolo foi a mudança de atitude em relação a questão cultural.
Hoje a Cultura é vista como fundamental enquanto política pública na vida das pessoas. Hoje a Cultura é percebida em três pilares: acessibilidade a todos, como forma de consciência crítica e enquanto formação de cidadania.
Sei que errei muitas vezes. Sei também que acertei muito mais ainda.
Arriscar sempre não pelos riscos, mas pelos desdobramentos.
Agradeço a Sérgio Mello pela oportunidade oferecida, raríssimos o fariam. Colocar “um jovem, um moleque à frente da Cultura”. “Como assim: de que família ele é? É amigo de quem?”
É isto que torna Sérgio Mello uma das pessoas mais fantásticas da sua geração, acreditar no ser humano independentemente de cor, sexo, status social ou religião. E este, talvez, seja o seu maior legado: dar oportunidade àqueles que jamais teriam ou tiveram em outros governos.
Com Sérgio pela primeira vez a Prefeitura ficou a serviço do Povo, antes era o Povo a serviço da Prefeitura.
Por isso fica aqui minha saudação a Sérgio como um dos grandes homens deste país. Sorte nossa que ele tenha escolhido Guaíra pra viver.
E quanto ao futuro (a pergunta que ouço com mais freqüência): quero voltar a ser artista: produzir, criar, inovar, contestar, revolucionar. Afinal foi sendo artista que conquistei um prêmio do Festival de Gramado.
O futuro da Cultura neste país é o Interior de São Paulo, é a Periferia. E é nisto que quero investir meu tempo e talento.
Hoje percebo que Guaíra é minha aldeia e que da minha aldeia posso conquistar o mundo.
Saio muito satisfeito, pelas demonstrações de respeito e afeto. Agradeço a todos os artistas da cidade, educadores e funcionários da Casa de Cultura, funcionários públicos, aos críticos de plantão que me tornaram mais exigente comigo mesmo, aos parceiros de longa data, aos artistas de renome internacional que por aqui se apresentaram. Agradeço principalmente àqueles que estiveram comigo até o dia 31 de Dezembro no apagar final das luzes e, sobretudo, à população guairense pela receptividade e carinho de tudo aquilo que foi feito.
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