sábado, 3 de janeiro de 2009

Seja Razoável, Faça o Impossível


Hoje, dois anos depois, consigo descansar. O descanso não é apenas questão física, psicológica. O descanso é uma questão ética.
Descansar é, pois, estar em paz consigo mesmo e com aquilo que lhe é importante. Hoje, descanso por perceber que fiz tudo o que estava ao meu alcance. Como naquele lema dos anos 60: “Seja razoável, faça o impossível”. Acho que fiz muitos impossíveis neste tempo.
Desde 2007 estive à frente da Coordenadoria de Cultura.
Desde então minha vida não foi a mesma.
Foram, talvez, os anos mais difíceis da minha vida.
Foram, talvez, os melhores anos da minha vida.

Quanto ao meu trabalho não quero ficar aqui detalhando, ele está aí presente na Cidade, na memória das pessoas, na referência consolidada em Guaíra como um pólo regional de Cultura. Também se faz presente na revista Culturando lançada no final de 2008 e também na revista de prestação de contas da cidade de Guaíra.
Mais importante que projetos, eventos, oficinas, construções de tijolo foi a mudança de atitude em relação a questão cultural.
Hoje a Cultura é vista como fundamental enquanto política pública na vida das pessoas. Hoje a Cultura é percebida em três pilares: acessibilidade a todos, como forma de consciência crítica e enquanto formação de cidadania.
Sei que errei muitas vezes. Sei também que acertei muito mais ainda.
Arriscar sempre não pelos riscos, mas pelos desdobramentos.

Agradeço a Sérgio Mello pela oportunidade oferecida, raríssimos o fariam. Colocar “um jovem, um moleque à frente da Cultura”. “Como assim: de que família ele é? É amigo de quem?”
É isto que torna Sérgio Mello uma das pessoas mais fantásticas da sua geração, acreditar no ser humano independentemente de cor, sexo, status social ou religião. E este, talvez, seja o seu maior legado: dar oportunidade àqueles que jamais teriam ou tiveram em outros governos.
Com Sérgio pela primeira vez a Prefeitura ficou a serviço do Povo, antes era o Povo a serviço da Prefeitura.
Por isso fica aqui minha saudação a Sérgio como um dos grandes homens deste país. Sorte nossa que ele tenha escolhido Guaíra pra viver.

E quanto ao futuro (a pergunta que ouço com mais freqüência): quero voltar a ser artista: produzir, criar, inovar, contestar, revolucionar. Afinal foi sendo artista que conquistei um prêmio do Festival de Gramado.
O futuro da Cultura neste país é o Interior de São Paulo, é a Periferia. E é nisto que quero investir meu tempo e talento.
Hoje percebo que Guaíra é minha aldeia e que da minha aldeia posso conquistar o mundo.

Saio muito satisfeito, pelas demonstrações de respeito e afeto. Agradeço a todos os artistas da cidade, educadores e funcionários da Casa de Cultura, funcionários públicos, aos críticos de plantão que me tornaram mais exigente comigo mesmo, aos parceiros de longa data, aos artistas de renome internacional que por aqui se apresentaram. Agradeço principalmente àqueles que estiveram comigo até o dia 31 de Dezembro no apagar final das luzes e, sobretudo, à população guairense pela receptividade e carinho de tudo aquilo que foi feito.

7 comentários:

  1. Concordo plenamente com você.. o Sérgio trabalhou para o Povo, com muito mais cultura.. espero q esse espaço seja valorizado novamente...

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  2. Alguém precisava plantar uma semente. E eu sinto ela germinar, tive a oportunidade de ver isso de perto. Vamos continuar.

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  3. É assim mesmo...
    Vai deixar saudades...
    Tamanha dignidade,competência,amor ao próximo,
    respeito ao ser humano,valor a nós guairenses.
    Mas a luta continua.
    Esperar pra ver, tbm é um ato de inteligencia.

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  4. Desde março conheci esse mundo.
    'Desde então minha vida não foi a mesma.'

    (:

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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  7. É, meu caro. O que valeu foi a mudança de atitude das pessoas. A mudança radical que passou despercebida aos olhos dos conservadores. O que mudou eles não conseguem enxergar. Agora ficam se perguntando:
    - O que esses muleques fizeram?

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